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5 de julho de 2022
A Falência da Educação Brasileira

Coluna:

Por: Antônio Queiroz

A Falência da Educação Brasileira

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Antonio Queiroz

O escritor austríaco que apelidou o Brasil de “o país do futuro ” se suicidou. Não é uma condenação, mas não deixa de ser um indício. Se Stefam Zwig estivesse vivo hoje, provavelmente se mataria de novo ao notar quão distante da realização sua profecia se encontra, mais de 60 anos depois. Nosso futuro está penhorado porque não cuidamos do patrimônio mais importante que um país tem: sua gente.


Se dependermos da qualificação dela para avançarmos, tudo leva a crer que continuaremos vendo os países desenvolvidos de longe e que, assim como a geração anterior viu o Brasil ser ultrapassado pelos tigres asiáticos, a nossa irá testemunhar a passagem da China, da Índia e de outros países menores.

Enquanto os países de ponta chegam perto da clonagem humana, nós ainda não conseguimos alfabetizar nossas crianças. Não é exagero, infelizmente. O último levantamento do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) mostrou que apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizada. Esses indicadores são o produto final de um sistema de educação que apresenta deficiência, de modo geral, em todas as etapas do ensino,em todo o país, tanto nas escolas públicas como nas privadas. É um quadro que não pode ser creditado ao nosso subdesenvolvimento, pois países muito mais pobres tiveram desempenhos bem melhores que os nossos.


Se não conseguimos alfabetizar, conseguiremos ensinar Matemática, Química, Geografia? Conseguiremos ensinar nosso aluno a pensar? Conseguiremos torná-lo um cidadão consciente? Claro que não! Não conseguiremos nem mantê-lo na escola até seu término. A má qualidade perpassa todo o sistema. Mesmo que entenda aquilo que lhe for ensinado.


Assim, o retrato típico do nosso aluno é de alguém que vai repetindo repetindo de ano, progredindo aos trancos e barrancos. Com isso, a qualidade sofrível da educação brasileira deixa de ser o magnífico investimento que ela é em quase todo o mundo em todas as épocas e passa a ser um fardo para o aluno. Vale mais a pena ir trabalhar do que gastar horas anos em aulas nas quais não se aprende quase nada.


O resultado é o explicável abandono.
Aos poucos bravos que ainda terminam o ensino básico apresenta-se a derradeira armadilha: aqueles que não têm dinheiro não conseguem entrar nas universidades privadas por falta de recursos. O pobre fica de fora e o rico estuda de graça, e assim se perpetuam nossas desigualdades: todo o acúmulo de erros e descasos da nossa educação culmina em um sistema de ensino superior raquítico, para muitos poucos. Afinal, o que o Brasil quer ser quando crescer?

Antônio Queiroz é acadêmico de Ciências Políticas da Faculdade Estácio

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