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A escola que mata

Por: Ademir Ramos

Professor, antropólogo, coordenador do projeto jaraqui, do NCPAM/UFAM vinculado ao Dpto. de Ciências Sociais.

A escola que mata

O processo civilizatório fez da escola uma frente de conquista para arrebatar almas dos povos dominados.

Para esse fim o cristianismo romano colonizador usou de várias estratégias para dominar e explorar a força de trabalho dos negros e indígenas, particularmente, nos continentes africano e americano.

A ferro e fogo foram conquistados. Na Amazônia não foi diferente. As missões religiosas viveram esse conflito que teve seu apogeu com a expulsão dos Jesuítas, favorecendo o domínio e controle da força de trabalho dos povos indígenas pela Coroa Portuguesa sob o jugo da guerra justa e do trabalho escravo em nome da cristandade.

Da catequese vieram os internatos. No Amazonas essa prática pedagógica reducionista multiplicou-se no alto Rio Negro junto aos povos indígenas, acelerando dessa feita, o processo civilizatório, sendo mais tarde juridicamente conceituada de integração ou seja redução, negação e invisibilidade do passado histórico desses povos em nome do progresso e da ascensão social de determinado agente da cultura que faz questão de afirmar que se libertou do passado do seu povo saindo da maloca para o apartamento impulsionado pela “educação dos padres”.

A Escola, por sua vez, como aparato de um determinado processo educacional deve necessariamente ser analisada e avaliada pelas comunidades e organizações sociais tanto na cidade como nas aldeias e povoados.

O Projeto Pedagógico construído dessas Escolas respalda-se na legislação pertinente, bem como, no projeto político das comunidades e de suas organizações sociais fincado na autonomia dessa gente, culturalmente diferenciada, que luta para garantir seus territórios como propriedade comunal, exaltando sua ancestralidade marcada por seu modo de ser, ter, viver e fazer em sociedade.

É por esse rio que navegamos, sabedores de que nem toda Escola é saudável algumas podem promover a cidadania participativa, libertando-nos das amarras da escravidão, exploração e do dirigismo político enquanto outras podem mutilar e até mesmo matar a esperança dos povos e dos trabalhadores de lutar de forma organizadamente por uma sociedade justa e igualitária seja em nome das Igrejas ou de outra seita ideológica partidária ou não.

Livrai-nos do mal.


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