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A escola que mata

Por: Ademir Ramos

Professor, antropólogo, coordenador do projeto jaraqui, do NCPAM/UFAM vinculado ao Dpto. de Ciências Sociais.

A Direita e o Bolsonarismo em Manaus

Na política, a direita e a esquerda tem várias caras. A questão recorrente é compreender e explicar o aceite do Bolsonaro nas urnas pela maioria dos eleitores da capital do Amazonas e com a mesma determinação buscar explicar também que nem toda direita é bolsonarista.

O enunciado está posto. Cabe-nos desatar este nó de porco mostrando aos interlocutores que de imediato a direita se firma por suas práticas políticas perante as opções da esquerda.

O divisor de água para se avaliar o posicionamento político dos atores é, sobretudo, a defesa encarniçada do mercado pelo mercado, contrariando a regulamentação, bem como a lógica do Estado empreendedor.

O Amazonas, em particular Manaus, é o lugar por excelência para se falar do Estado empreendedor, significa dizer que toda nossa economia do Polo Industrial da Zona Franca de Manaus resulta da ação indutora do Estado. Agora mesmo, governo e a bancada do Amazonas discutem no Congresso Nacional a excepcionalidade deste modelo numa perspectiva de garantir e assegurar na regulação da Reforma Tributária a competitividade dos produtos do Polo Industrial de Manaus.

A direita liberal está muito mais preocupada com as questões econômicas de mercado do que em professar a fé nos valores morais e costumes.

Ao contrário, o bolsonarismo por não ter um vínculo direto com o controle do processo produtivo do capital projeta-se muito mais no controle dos aparelhos de Estado justificando suas ações em defesa de uma moral fundamentalista religiosa amparada no direito natural negando o Estado laico, o desenvolvimento da ciência e seus avanços tecnológicos numa perspectiva da demonização da política.

Nessa conjuntura, como coadjuvante, o bolsonarismo é um movimento útil e necessário para que a direita liberal ou neoliberal possa consolidar o seu projeto de concentração de capital e riqueza compartilhando com os coadjuvantes as sobras palacianas promotoras da desigualdade e exclusão social.

O risco dessa aliança é o bolsonarismo não aceitar esta condição, rebelando-se contra os seus pares por acreditar que o seu líder é a medida de todas as coisas e com isso afrontar os poderes constitucionais como bem fez no dia 08 de janeiro de 2023.


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