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Contra a Idolatria

Por: Robério Braga

Membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas

A causa da morte de Eduardo Ribeiro

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Robério Braga

Cercada de subterfúgios para muita gente, notadamente historiadores de superfície, como dizia o mestre Arthur Cézar Ferreira Reis – raciocínio corroborado de forma ainda mais forte pelo saudoso Mário Ypiranga Monteiro -, ao falarem daqueles que se atrevem a escrever por informações de terceiros, sem pesquisas sérias e aprofundadas que vão penetrando fundo nas notícias, em outros autores e nos documentos de época, a morte do ex-governador Eduardo Gonçalves Ribeiro, em 1900, ficou cercada de mistérios, apesar da denúncia/revelação feita por ocasião do sepultamento do seu corpo.

Os laudos de exame cadavérico, o inquérito na polícia e os processos judiciais, inclusive sobre herança e patrimônio, parece que tiveram sumiço provocado por interesse de personalidades ou de grupos políticos que com ele disputavam a hegemonia partidária e eleitoral no Amazonas naqueles anos de ouro da exportação de borracha.

Tempos mais tarde, Mário Ypiranga, com autoridade, assinalou informações sobre a causa da morte, o que também fizeram, mas sob ótica mais amena, Edmundo Fernandes Levy, Agnello Bittencourt e Júlio Uchoa em livros distintos, e, ainda recentemente, eu próprio fiz na obra que dei a público sobre a vida e obra desse grande brasileiro.

Vítima de ira política e perseguição eleitoral, Ribeiro vinha sendo prejudicado por grupos com interesse econômico nos cofres estaduais, o que se confirma, também, quando por duas vezes o impediram de assumir a vaga de senador da República para a qual fora eleito como representante amazonense, em 1897. E isso foi feito por meio da atuação da famigerada Comissão de Poderes do Legislativo que, como se sabe, atendia às ordens do Governo Federal que sempre estavam bem sintonizadas com as “opiniões” dos coronéis estaduais, os quais, na oportunidade, estavam em oposição a Ribeiro.

Figura pouco ou quase nunca referida na trajetória do “Pensador”, mas que com ele conviveu de maneira muito próxima, inclusive, quando do tratamento das “doenças nervosas” que o atribuíram, o tenente José Fernandes Barbosa revelou, em várias ocasiões, ao genitor de mestre Mário, que o governador fora assassinado por envenenamento levado a efeito por meio de ervas recambiadas de Santarém do Pará, ervas estas que o dr. Hermenegildo de Campos apresentou como “trombeteira” ou “datura arbórea” as quais teriam efeito narcótico e das quais os índios extraíam sumo excitante do tônus muscular que vinha a gerar alucinações auditivas e angústia em que as consumisse, sintomas que, por tudo que se conhece em livros, depoimentos antigos e jornais da época, era o que se atribuía a Ribeiro.

Esse depoimento que Mário Ypiranga refere em sua obra “O Aguadeiro”, em 1977, coincide com muitas informações que foram sendo repassadas, ano após ano, a respeito desse episódio lamentável e criminoso que levou Eduardo Ribeiro à morte, cenário que veio a permitir a formação de extenso e poderoso grupo político que dominou o Estado por longos anos e até a revolução de 1930.

Teria havido conluio político que levou a essa operação criminosa planejada para eliminar aquele que se constituiu em grande líder em sua época? Aquele que vencera inúmeras resistências eleitorais, políticas, partidárias e militares, e, de forma inconteste, realizara governo que, à distância, pode ser considerado de excelentes resultados, ainda que possam ser assinalados percalços e equívocos como sucede em qualquer outro por mais bem intencionado que seja o líder e bem gerenciada que seja a Administração.

Seguirei procurando descobrir mais documentos e informações além do que reuni a respeito, mas, à título de provocação, bem que os laboratórios e as universidades poderiam fazer ensaios para confirmar a tese de Hermenegildo de Campos sobre os resultados da aplicação dessa erva “trombeta cheirosa”. Seria um bom caminho obter essa comprovação científica.


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