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Galo custa mais de 250 mil

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

A BR-319 é uma rodovia semidestruída

BR-319

Odiada e travada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a BR-319, maior sonho de ligação do Estado do Amazonas com os mercados do Sul do país, dificilmente sairá do papel neste ano de 2023 e muito provavelmente permanecerá no esquecimento ao longo de 2024, ano de eleições municipais, quando todo mundo estará concentrado na disputa eleitoral.

Na verdade, de acordo com dados de diversos órgãos, dentre os quais o Observatório BR-319 (OBR-319), um dos maiores biomas da Amazônia Legal, envolvendo os 885 quilômetros da BR-319, está semidestruído, razão por que entendemos ser imprescindível que uma ação da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) junto a bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional, com a participação do Governo do Estado, pressione o Governo Federal para socorrer, com urgência, o bioma.

Se nada for feito agora, não será mais preciso repavimentar ou asfaltar o Trecho do Meio. Se medidas imediatas não fossem adotadas, crescerá a rede de ramais e de crimes ambientais no entorno da rodovia.

A grande expansão de ramais na região da BR-319 entre 2016 e 2021 está impulsionando ocupações ilegais na região. Os ramais tanto facilitam as conexões entre as comunidades da área, ajudando os negócios agroextrativistas como também oxigenam o tráfico de toda ordem, a especulação imobiliária e o desmatamento. A fiscalização inexiste, garantindo a tragédia.

Vejam um resumo da preocupante situação do quadro de desmatamento e degradação da região:

Dados de um levantamento do Observatório BR-319 (OBR-319), datado de Abril de 2022, mostraram que o número de ramais abertos na área da rodovia chegou a 1.593 quilômetros em cinco anos, equivalente a duas vezes o tamanho da BR.

A área semidestruída envolve os municípios de Canutama, Humaitá, Manicoré e Tapauá, no Sul do Amazonas. Com o desmatamento exacerbado, aumentam a especulação fundiária e a grilagem de terras.

O Observatório fala em 1.593 quilômetros de área comprometida. Em Manicoré, os crimes ambientais compreendem, sobretudo, terras indígenas. Outro absurdo: 55% dos ramais mapeados estão situados dentro de Florestas Públicas Não Destinadas (FPND), totalizando 2.609 km de ramais.

Considerando esses números, pergunta-se: Com o polêmico Trecho do Meio, de 405 kms, devidamente asfaltado, não haveria mais infraestrutura para a realização de ações de fiscalização e monitoramento por parte dos órgãos ambientais federais e estaduais ao longo de toda a Rodovia BR-319 ?

Pergunta-se ainda: Será que não seria maior a infraestrutura, material, financeira e humana, destinada à preservação das Áreas Protegidas se o Trecho do Meio fosse logo repavimentado ?

O Governo Federal precisa dar respostas a essas questões. Não basta só esperar que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) bloqueie créditos para quem desmata na Amazônia. Não vai adiantar apenas negar empréstimos ou suspender cadastros ambientais rurais (CAR) em áreas protegidas. É necessário correr e enfrentar a calamidade causada pelos ramais.

Cadê a revisão e implementação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do Purus e a elaboração do Zoneamento Ecológico Econômico do Madeira ?

Urge, pois, que a Assembleia Legislativa do Amazonas, em parceria com o governo estadual, aja em sintonia com a nossa bancada de deputados e senadores no Congresso para sensibilizar o Governo Federal a envidar ações emergenciais para socorrer uma grande parte do bioma amazônico seriamente comprometido na área da BR-319.

Acreditamos que as medidas governamentais, ajudando a equacionar os problemas que travam a BR, certamente freariam o desmatamento e assegurariam o incremento dos projetos de desenvolvimento econômico, inclusive com o impulsionamento da fronteira agrícola dentro das normas de respeito à sustentabilidade na região, protegendo a agricultura familiar e estimulando a geração de emprego e renda. Se as ações ficarem para depois de 2024, será o caos ambiental. Os ramais praticamente destroem a área que abrange a BR, que cada vez mais vira sonho de uma noite de verão.


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