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A importância das hidrovias

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

A bioeconomia amazônica como modelo de desenvolvimento regional

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A bioeconomia amazônica constitui uma proposta viável para o desenvolvimento regional? Vislumbrar a bioeconomia amazônica como um modelo de exploração econômica para a região condiciona a combinação de investimentos públicos e privados que valorizem as potencialidades regionais, a cultura, o conhecimento tradicional, a tecnologia, a ciência e a inovação de forma a alinhar o crescimento econômico com a preservação ambiental.

A bioeconomia amazônica baseia-se na conservação da floresta e sua sociobiodiversidade como elementos centrais de existência e desenvolvimento constituindo estratégia de sustentabilidade por meio do manejo florestal e do cultivo de produtos do bioma amazônico ou com ele compatíveis em sistemas agroflorestais (BID, 2021).

O desenvolvimento econômico pautado para a região amazônica precisa ser endógeno com base na identificação de vocações regionais, agregação de valor aos produtos da floresta, dos conhecimentos científicos e tradicionais objetivando a geração de emprego e renda verdes uma vez que devemos beneficiar principalmente as comunidades locais e a exploração sustentável.

Ademais, a proposta de um modelo econômico amazônico necessita apontar estratégias para melhorar os indicadores socioeconômicos regionais bem como ser capaz de contribuir para reduzir o abismo que separa a região amazônica das demais regiões do país.

Outro desafio a ser superado em meio a este modelo é o desmatamento zero. Uma vez que, se bem implementado contribuiria para desestimular a exploração ilegal das riquezas regionais melhorando o ambiente de negócio através da atração de investimento e mão de obra especializada. Tornando assim, a prática predatória dos recursos naturais pouco atrativa economicamente.

Transformar o ativo econômico amazônicos em negócio é um desafio que envolve investimento, conhecimento e estratégia. Para tanto, tal modelo deve levar em consideração a combinação de conhecimentos (tradicionais e científicos) possibilitando resultados assertivos bem como a agregação de valor aos produtos amazônicos, geração de emprego e a preservação da floresta em pé.

Por fim, a proposta de bioeconomia amazônica deve ser uma estratégia que explore a floresta e obtenha o que ela tem que mais rico sem colocá-la em risco. Para tanto, faz-se imprescindível o conhecimento acerca do patrimônio da biodiversidade, a realização de mapeamento das matrizes econômicas, a identificação de novos negócios, a inclusão do PIB da bioeconomia nas contas nacionais com foco no bem-estar da população que vive da exploração dos recursos da floresta e que contribui para preservá-la.


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