transferir
A importância das hidrovias

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Por uma economia da floresta em pé

IMG_4611

            As inúmeras tentativas implementadas na Amazônia em busca de desenvolvimento são causadoras do que denominamos de “economia da destruição da natureza” e contribuíram de forma direta e indireta para desestimular uma economia regional endógena que promovesse o bem-estar social e a preservação ambiental.

            Entende-se por economia da destruição da natureza ações ligadas à: grilagem, agropecuária, mineração, comércio ilegal de madeira, desmatamento e queimadas. Na prática, tais atividades são pautadas pela violência e criminalidade onde a população local é exposta à insegurança, agressões e condições de vida precária.

            Tal cenário resulta em preocupantes indicadores de violência, vulnerabilidade socioeconômica e de impacto ambiental. Para tanto, existe um consenso entre os especialistas de que o dramático cenário amazônico demanda urgentemente por um modelo de desenvolvimento sustentável, inclusivo e equitativo que promova o bem-estar e preserva a floresta: a economia da floresta em pé.

Nosso país é detentor do maior volume de ativos naturais do planeta: 60% do bioma amazônico está no Brasil, com expressiva diversidade sociocultural e importância estratégica que ganhou ainda mais importância em tempos de mudança climática.

Neste novo contexto, países desenvolvidos e emergentes anseiam por acordos internacionais para a distribuição dos benefícios da biodiversidade e serviços ecossistêmicos tendo como foco a economia de baixo carbono onde a Amazônia é o centro do debate.

Muitos cientistas estão debruçados em buscar soluções para a economia amazônica e o direcionamento que temos é que precisamos de uma economia da biodiversidade florestal com foco na bioeconomia com potencialidade de valorizar os recursos naturais renováveis, os serviços ambientais bem como as inovações geradas com base na dinâmica da natureza e no conhecimento tradicional dos amazônidas (NOBRE, 2019).

Vislumbramos também uma alternativa com base nos negócios da floresta ou negócios socioambientais que na Amazônia são constituídos por empreendimentos comunitários (associações, cooperativas, centrais de cooperativa e mais seis categorias de empreendimentos).

A Amazônia tem potencial para suprir o país com seus recursos naturais, mas são necessárias novas referências para uma economia que planeje o futuro e veja o meio ambiente como potencial e não como empecilho.

O fortalecimento da economia da floresta com base na preservação bem como a potencialização de negócios ambientais constituem ferramentas relevantes para o combate ao desmatamento e fomento da justiça socioeconômica na Amazônia com potencialidade de iniciar uma era de desenvolvimento e bem-estar para o povo da floresta.

Por fim, devemos ter ciência de que: a “Amazônia é solução e não problema”.

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.


Qual sua Opinião?

Confira Também