Colunista
Transplante no Amazonas – Parte 04 (ver vídeo)

Por: Fabiano Affonso

professor, engenheiro agrônomo, pós graduado em comunicação e metodologia da extensão rural, especialista em projetos de reforma agrária e especialista em política e estratégia, autor da cartilha “Latifúndio na Amazônia”.

Transplante no Amazonas – Parte 03

No dia 01/12/2023 iniciamos o protocolo de dieta pré cirúrgica e em 04/12/2023, às 07h estávamos no Hospital Delphina Aziz e pela recepção exclusiva de transplante fomos encaminhados para a enfermaria dos TX.

Tivemos alguns contratempos pois meu leito era o único que vinha com a balança no próprio leito, no entanto, a mesma não estava funcionando, precisando ser acionado o serviço de engenharia, e ainda assim não foi resolvido, fortes emoções ainda estavam por vir a noite.

Cumprindo recomendação do setor de Nefrologia, fizemos as últimas 9 horas de diálise peritoneal antes da cirurgia. Durante a noite, começou a disparar um sinal de alarme que todos acharam que era da minha velha companheira Kátia (como chamei carinhosamente a minha máquina de diálise), revisamos por completo todo o procedimento de ligação da máquina e o sinal do alarme não parava, por fim, após muitas horas e muitos curiosos tentando nos ajudar o alarme parou e consegui fazer o restante da diálise.

Às 05hs da manhã fui acordado para tomar um banho de clorexidina, um banho frio com um misto de ansiedade que foi dado pela minha esposa.

Voltei para o leito, onde fui colocado pelo técnico com todo o cuidado e respeito e foi usado o primeiro fraldão e também acesso secundário no meu braço esquerdo.

Desci para o centro cirúrgico às 06:30 da manhã e encontrei na sala de centro a minha filha doadora Lucyana Affonso Carriço, onde travamos o seguinte diálogo: “Minha filha, nunca lhe pedi nada, muito menos uma parte do seu corpo, se quiser desistir, esse é o momento.” Ela retrucou olhando nos meus olhos, entre lágrimas e disse: “Paião, eu te amo! Vamos logo resolver essa história”. E assim fomos.

Em seguida entrou um médico que se apresentou como Dr. Daniel, o anestesista responsável pelo procedimento.

Lembro que falei que meu filho médico e anestesista estava tentando entrar no centro cirúrgico e que estava autorizado pelo cirurgião chefe e ele perguntou se era o Fabiano, e eu confirmei, e ele disse que meu filho iria assistir a minha cirurgia e da minha filha e questionei o que ele usaria pra me derrubar e que esperava que fosse um “wine” de qualidade e ele respondeu questionando se servia um vinho branco, apenas respondi que só servia bem gelado, o que gerou gargalhadas, assim, fomos para o centro cirúrgico.

Ainda recordo de espalmarem meus braços e amarrarem, a partir daí, eu apaguei!

Saindo do centro cirúrgico, abrindo meus olhos, identifiquei meu filho que disse nos meus ouvidos: “Paião, ocorreu tudo bem com a sua cirurgia e da minha irmã”.

Sob forte emoções, ainda no centro ciururgico fui informado que urinei ainda na mesa cirúrgica, mais de 2 litros, coisa que não fazia há bastante tempo.

Em seguida, fui encaminhado para UTI de transplantados e minha filha para enfermaria.

Fiquei naquela UTI por 05 dias.

Ainda grogue da anestesia, pude constatar quanto trabalho os técnicos da UTI não param, sempre prestativos e atentos a todos os sinais.

Era noite me deram um medicamento, eu estava sonolento e ao tomar o uma cápsula, o remédio engatou na minha garganta.

Me engasguei e vi e vivi o que é uma emergência na UTI. Uma equipe enorme sob os comandos de uma médica muito diligente que conseguiu instruir e me estabilizar daquele engasgo.

Após esse fato, voltando a cada vez a minha consciência sem o efeito da anestesia, passei a dar conta de tudo que acontecia ao meu redor.

No dia 10/12/2023 tive alta da UTI para a enfermaria de transplantados, onde fizeram o Código Esmeralda no momento da minha remoção. Foi um momento emocionante!

Eu mal sabia o que me esperava na enfermaria.


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